“Sobrevivendo no Inferno” mostra exclusão, racismo e violência na periferia

01 de julho de 2019

 

 

O deputado Carlos Giannazi e o vereador Celso Giannazi promoveram em 27/6, na Alesp, uma aula sobre o livro “Sobrevivendo no Inferno”, incluído na bibliografia da Unicamp para o vestibular 2020. A obra é uma compilação das letras do álbum lançado em 1997 pelo grupo de rap Racionais MC’s.

 

Edi Rock (que compõe a banda com Mano Brown, Ice Blue e KL Jay) considera o disco um marco na história da música – foram 1,5 milhão de cópias vendidas – e também na história do negro no Brasil. Ele explicou que a região do Capão Redondo e do Jardim Ângela, onde viviam Mano Brown e Ice Blue, era considerada a mais violenta do mundo, sendo que a violência policial e a atuação de grupos de extermínio eram uma constante. “Era inevitável o reflexo no discurso, na rima e na música”.

 

A produtora da banda, a advogada Eliane Dias, uma das principais vozes das causas negra e feminina, considera injustificável que as ações policiais matem três vezes mais negros.

 

O “aulão” foi coordenado pelo poeta e professor Márcio Vidal, que há 11 anos promove encontros com os MCs em escolas, Centros para Crianças e Adolescentes (CCAs) e unidades da Fundação Casa. A ação, que hoje é voluntária, já foi um projeto institucional, o “RAPensando a Educação”, levado a todas as escolas municipais durante a gestão Erundina (1989-1993).