Opinião – Os salários aviltantes dos agentes escolares

 

Poucos sabem o que é um Agente de Organização Escolar. Poucos sabem o que faz esse trabalhador operacional. Provavelmente nem os mandatários da Secretaria Estadual de Educação sabem, pois pressuponho que, se soubessem, não permitiriam situação tão vexatória, que são os salários aviltantes da categoria.

O Agente de Organização Escolar (nome pomposo) é o trabalhador da Educação operacional em exercício nas escolas públicas da rede estadual de ensino paulista que, como um verdadeiro coringa, está em todo lugar, serve a todos e desempenha múltiplas e distintas funções.

Para quem conhece minimamente uma escola e sua dinâmica de funcionamento, pode ter uma noção do que significa ser um coringa: abrir e fechar portões, cuidar da movimentação dos alunos na escola nas inúmeras atividades, manter a escola em ordem, elaborar documentos pessoais da vida escolar de milhares de alunos, responsabilizar-se pela folha de pagamento e cuidar da vida funcional de todos os funcionários, acompanhar alunos em atividades distintas, cuidar de classes sem professores, atender pais e público em geral, fazer matrículas, digitar notas de alunos nas respectivas fichas virtuais, cuidar da disciplina nos intervalos etc. Tudo isso ” e muito mais ” por um salário aviltante, vergonhosamente indicado no contracheque, em torno de R$ 900, e uma ajuda de refeição (vale-coxinha) que mal dá para um lanche.

Nada a estranhar se não estivéssemos falando do Estado mais desenvolvido da nação, com orçamento bilionário e que, em tese, não deveria pagar salários tão baixos. Nada a dizer se não estivéssemos mencionando a secretaria com o maior orçamento do Estado e dirigentes que incessantemente falam em valorizar os profissionais da Educação e melhorar suas condições de trabalho. Posturas que são extremamente necessárias por uma razão muito simples: isso reflete na qualidade do serviço prestado. Sim, repito, para que não esqueçamos esta contradição: estamos falando de uma secretaria com orçamento bilionário, de um Estado rico e avançado tecnologicamente, que não dá a atenção necessária para as questões expostas pelos educadores (aqui entendidos como todos os que trabalham na Educação).

Há quase duas décadas no comando da Educação pública, a gestão tucana tem como marcas o desencontro, a descontinuidade, a prioridade equivocada, o gasto perdulário com a máquina, a denúncia de superfaturamento nas compras e obras, o autoritarismo e as promessas não cumpridas. Tristemente temos de concordar que não fariam diferente com essa laboriosa categoria: os Agentes de Organização Escolar.

Uma escola não funciona sozinha. Para que as coisas andem, para que as aulas aconteçam, para que a aprendizagem ocorra, a avaliação e o registro existam, há necessidade de que um grupo de operacionais pegue “no pesado”. E eles o fazem por uma ninharia.

Neste momento, antes de iniciarmos um novo ano letivo, se faz absolutamente necessário que o governador e seu secretário de Educação, indicado para mais assustadores quatro anos de gestão, revejam algumas questões da sua máquina e de seu funcionamento. Não dá para manter uma escola com servidores operacionais da Educação num nível desalentador e com baixos salários. Vergonhoso, vexatório, insustentável.

Com a palavra o secretário da Educação, para ações e decisões, e não para discursos e promessas.

*Carlos Giannazi é deputado estadual pelo PSOL e membro titular da Comissão de Educação e Cultura.