Reorganização das escolas: novo ataque da SEE à Educação Pública paulista

 

Não tem sido fácil: nos últimos vinte anos, a história da rede de escolas públicas do estado mais rico do país tem contabilizado sucessivos ataques do governo e de sua Secretaria da Educação.

Artilharia pesada: arrocho salarial nunca visto antes, fechamento expressivo de salas de aula e de escolas, salas superlotadas, déficit contínuo e frequente de professores e servidores do quadro de apoio, falta de equipamentos atualizados e em boas condições, prédios abandonados e sem manutenção e ausência total de um projeto pedagógico que dê uma cara à combalida educação pública paulista.

E isso ainda não é tudo.

Este ano deverá ser registrado como um dos mais cruéis para educadores e comunidade usuária das escolas da rede estadual. O ano começou com uma greve de 92 dias, a mais longa de todos os tempos, em o que o governo não deu a menor atenção às reivindicações ” todas justas ” dos educadores. Um semestre aniquilado, que levou junto o resto do crédito que os educadores ainda tinham na possibilidade de negociação com o governo.

Em seguida, o governo edita o vampiresco Decreto 61.466/15, proibindo ” o que na prática já vinha sendo feito ” novas contratações e novas chamadas de aprovados em concursos, muitos deles já com a escolha de vaga feita e com laudo médico nas mãos. Deixa todos a ver navios, cinicamente, em nome de economia de recursos.

Na sequência, voltando atrás de promessa feita ” o que tem sido constante na postura agressiva e autoritária dos burocratas tucanos “, provoca acintosamente os docentes com o “reajuste zero” nos salários aviltados dos profissionais da Educação.

O pior ainda está por vir. Pomposo, como se estivesse inaugurando uma nova era no ensino público, reedita um artifício ” sem nenhum resultado positivo ” já posto em prática em 1995 pela secretária de Educação, de triste lembrança, Rose Neubauer: reorganização das escolas pelo viés dos ciclos. A tal reorganização das escolas não passa de uma proposta de enxugamento de vagas e fechamento de postos de trabalho, de salas de aula e de escolas inteiras.

Terra arrasada. Milhares de vagas serão suprimidas ou empurradas para os municípios, forçando uma decadente e apressada municipalização. Demissão em massa de professores contratados. Milhares de educadores afastados de sua escola de origem e de escolha, muitos deles se deslocando de seus bairros e de suas cidades. Professores que perderão aulas e ficarão “adidos”, com sérios prejuízos para a carreira. Milhares de alunos deslocados de suas escolas, de seus bairros, impossibilitados de convivência saudável com crianças e/ou jovens de idades diferentes. Transtornos à vista para incontáveis famílias.

Somente o “peessedebismo” consegue ver nessa escandalosa reorganização um novo modelo de escola. Somente os burocratas do governo Alckmin fazendo uma política de economia de arrasa-quarteirão podem pensar que estamos diante de novo projeto pedagógico, sustentados equivocadamente pela visão míope de que os recursos aplicados em Educação são gastos e não investimentos.

Alguém precisa avisar o “experiente” secretário da Educação paulista que um novo modelo de escola somente será possível com um novo e bem amarrado projeto pedagógico para as escolas, com uma substantiva revisão salarial, com um projeto de formação contínua e frequente dos educadores, com respeito à jornada pedagógica, com escolas autônomas e responsáveis por suas decisões, com escolas menores e menos alunos nas salas de aula, com material didático farto, atual e múltiplo.

Fora desse script é querer enganar a todos, violentando profissionais e desacomodando comunidades inteiras, sem dar a palavra aos primeiros e maiores interessados.

Com a palavra os burocratas da Secretaria da Educação.

*Carlos Giannazi – deputado estadual do PSOL e membro titular da Comissão de Educação e Cultura