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01 de outubro de 2015

 

Reorganização das escolas: novo ataque da SEE à Educação Pública paulista

 

Não tem sido fácil: nos últimos vinte anos, a história da rede de escolas públicas do estado mais rico do país tem contabilizado sucessivos ataques do governo e de sua Secretaria da Educação.

 

Artilharia pesada: arrocho salarial nunca visto antes, fechamento expressivo de salas de aula e de escolas, salas superlotadas, déficit contínuo e frequente de professores e servidores do quadro de apoio, falta de equipamentos atualizados e em boas condições, prédios abandonados e sem manutenção e ausência total de um projeto pedagógico que dê uma cara à combalida educação pública paulista.

 

E isso ainda não é tudo.

 

Este ano deverá ser registrado como um dos mais cruéis para educadores e comunidade usuária das escolas da rede estadual. O ano começou com uma greve de 92 dias, a mais longa de todos os tempos, em o que o governo não deu a menor atenção às reivindicações " todas justas " dos educadores. Um semestre aniquilado, que levou junto o resto do crédito que os educadores ainda tinham na possibilidade de negociação com o governo.

 

Em seguida, o governo edita o vampiresco Decreto 61.466/15, proibindo " o que na prática já vinha sendo feito " novas contratações e novas chamadas de aprovados em concursos, muitos deles já com a escolha de vaga feita e com laudo médico nas mãos. Deixa todos a ver navios, cinicamente, em nome de economia de recursos.

 

Na sequência, voltando atrás de promessa feita " o que tem sido constante na postura agressiva e autoritária dos burocratas tucanos ", provoca acintosamente os docentes com o "reajuste zero" nos salários aviltados dos profissionais da Educação.

 

O pior ainda está por vir. Pomposo, como se estivesse inaugurando uma nova era no ensino público, reedita um artifício " sem nenhum resultado positivo " já posto em prática em 1995 pela secretária de Educação, de triste lembrança, Rose Neubauer: reorganização das escolas pelo viés dos ciclos. A tal reorganização das escolas não passa de uma proposta de enxugamento de vagas e fechamento de postos de trabalho, de salas de aula e de escolas inteiras.

 

Terra arrasada. Milhares de vagas serão suprimidas ou empurradas para os municípios, forçando uma decadente e apressada municipalização. Demissão em massa de professores contratados. Milhares de educadores afastados de sua escola de origem e de escolha, muitos deles se deslocando de seus bairros e de suas cidades. Professores que perderão aulas e ficarão "adidos", com sérios prejuízos para a carreira. Milhares de alunos deslocados de suas escolas, de seus bairros, impossibilitados de convivência saudável com crianças e/ou jovens de idades diferentes. Transtornos à vista para incontáveis famílias.

 

Somente o "peessedebismo" consegue ver nessa escandalosa reorganização um novo modelo de escola. Somente os burocratas do governo Alckmin fazendo uma política de economia de arrasa-quarteirão podem pensar que estamos diante de novo projeto pedagógico, sustentados equivocadamente pela visão míope de que os recursos aplicados em Educação são gastos e não investimentos.

 

Alguém precisa avisar o "experiente" secretário da Educação paulista que um novo modelo de escola somente será possível com um novo e bem amarrado projeto pedagógico para as escolas, com uma substantiva revisão salarial, com um projeto de formação contínua e frequente dos educadores, com respeito à jornada pedagógica, com escolas autônomas e responsáveis por suas decisões, com escolas menores e menos alunos nas salas de aula, com material didático farto, atual e múltiplo.

 

Fora desse script é querer enganar a todos, violentando profissionais e desacomodando comunidades inteiras, sem dar a palavra aos primeiros e maiores interessados.

 

Com a palavra os burocratas da Secretaria da Educação.

 

*Carlos Giannazi - deputado estadual do PSOL e membro titular da Comissão de Educação e Cultura

 

Carlos Giannazi é professor universitário, diretor de escola pública, mestre em Educação e doutor em História (USP). Foi vereador da capital de 2001 a 2007, candidato a prefeito de São Paulo em 2012 e, como deputado estadual, sempre apoiou e participou ativamente das lutas pela melhoria dos serviços públicos de qualidade como Educação, Saúde, Segurança, Meio Ambiente, Transportes, Cultura e Lazer — antes, durante e após as jornadas de junho de 2013. Por isso atua fortemente por mais investimentos nessas áreas, sobretudo na valorização dos servidores que oferecem esses serviços à população.

 

Um dos mais críticos, independentes e combativos deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo, Giannazi fiscaliza o governo diuturnamente e denuncia todas as irregularidades deste ao Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Tribunal de Contas do Estado e imprensa. Apresenta projetos de lei, organiza audiências públicas, propõe e apoia lutas sociais dos diversos segmentos da sociedade em todo o estado.

 

Como educador, é uma referência na defesa da escola pública de qualidade e da valorização dos profissionais da Educação.

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