Programa de Ensino Integral exclui estudantes que precisam trabalhar

10 de setembro de 2019

“Se a escola de tempo integral é tão boa, por que a recusa da Secretaria da Educação em debater o assunto de forma transparente?” Com esse questionamento, o professor Aldo Santos sintetizou a posição de resistência de educadores, pais e estudantes ao modelo Programa de Ensino Integral (PEI), em audiência pública na Alesp, em 5/9.

 

Todos os participantes do evento, organizado por Carlos Giannazi, concordaram que a oferta do ensino em tempo integral seria um avanço, desde que as escolas realmente apresentassem a estrutura necessária e que fosse garantido o acesso a todos, o que não é o caso.

 

Conforme explicou o professor da USP Eduardo Girotto, que realizou uma pesquisa sobre as 417 PEIs implantadas desde 2012, a melhor classificação dessas escolas no Idesp é produzida artificialmente, à custa da exclusão dos alunos com perfil socioeconômico mais vulnerável, que têm de conciliar trabalho e estudo. Além disso, nessas unidades houve redução de 84% nas matrículas do período noturno e 75% nas turmas de EJA.

 

Fernando Cássio, especialista em políticas públicas de educação, chamou a atenção para a situação dos alunos excluídos quando uma PEI é implantada: cerca de três quartos dos discentes são realocados em outras unidades, cujas classes ficam ainda mais superlotadas.

 

Os dados da pequisa realizada por Girotto e Fernando Cássio podem ser consultados no portal da Rede Escola Pública e Universidade, no link https://www.repu.com.br/notas-tecnicas.

 

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