O triste caso da professora Adélia

 

A professora Adélia Aparecida Ribeiro aposentou-se em janeiro de 2016. Deveria começar a viver um novo período de sua vida, depois de trabalhar em escolas da rede estadual de Educação do Estado de São Paulo por consecutivos 28 anos, todos os dias, ano letivo atrás de ano letivo, de 1988 até 2016. Deveria curtir o seu direito à aposentadoria, descanso remunerado depois de sua dedicação ao magistério público estadual durante boa parte de sua vida.

Deveria. Mas eis que vem a roda viva e carrega o destino pra outro lugar. E quis esta roda viva que o seu salário de aposentada, de um mês para o outro, despencasse para nada mais e nada menos do que R$ 496 e alguns centavos. Isto mesmo. Sem explicação, sem lógica, sem razão, sem informação. Simples assim: de um mês para o outro passou a receber – e a pensar como sobreviver – com este miserável contracheque.

Nem a mais poderosa máquina de causar estragos na vida das pessoas poderia ser tão eficiente assim. Nem o mais terrível terrorista conseguiria causar tanto mal a uma pessoa dessa forma. Nem o mais ágil bandido – qualquer que seja a cor do seu colarinho – conseguiria produzir tamanha maldade. Mas, a máquina burocrática da Secretaria Estadual de Educação (SEE) e da São Paulo Previdência (SPPrev) conseguiram tirar o chão dos pés da dedicada professora.

Claro, fato assim não acontece com nenhum dos executivos da máquina administrativa. Eles se protegem e se resguardam. Mas, com uma professora da educação básica aposentada, oras bolas, que se dane ela. Que se danem com suas contas a pagar, com seu corpo reclamando alimentos e remédios, com sua vontade de viver feito gente.

Acometida por dois acidentes vasculares cerebrais, quase cega, depende da ajuda de outras pessoas, familiares, amigos, para tentar sobreviver em meio a esse cinismo administrativo.

É assim, com esse “humanismo respeitador” de fazer inveja a todo o planeta, que a SEE e a SPPrev ratam os seus servidores aposentados. Para tristeza e vergonha de todos nós.

Com a palavra, para explicações e soluções, a Secretaria Estadual de Educação e a São Paulo Previdência.

* Carlos Giannazi é deputado pelo PSOL e membro da Comissão de Educação e Cultura