Opinião: 2015: o ano que já terminou

 

Pode parecer estranho o título acima. No entanto, não é. Embora estejamos a pouco menos de dois meses do final do ano, para os trabalhadores das escolas estaduais, alunos e pais, 2015 já chegou ao fim. E chega ao fim, de maneira melancólica. E, certamente, não deixará saudade na história da Educação pública brasileira pelas razões que apontaremos a seguir.

O ano começou como mais um de pouco investimento na Educação pública paulista, como das vezes anteriores, nos anos anteriores. Em seguida, por motivos que todos conhecemos ” e que se repetem nas últimas administrações estaduais “, o magistério iniciou um movimento grevista na tentativa de abrir diálogo com a atual administração e reverter algumas das terríveis condições de trabalho. Após noventa e dois dias, o movimento terminou sob o olhar irônico e autoritário da administração da Educação paulista, impondo aos mestres, mais do que uma derrota em suas reivindicações ” todas justas “, um inusitado desânimo pedagógico e falta de perspectiva de melhorias.

Mal a reposição das aulas não dadas teve início, o governador baixou um decreto (61.466/15) no qual praticamente determinou que não se contratasse mais nenhum professor, nenhum concursado, mesmo que já com exames médicos feitos e local de exercício escolhido, fosse qual fosse a necessidade ou a situação da escola. Na prática, decretou que a escola não precisa desses profissionais, que os servidores se viram do jeito que dá, que aulas vagas, documentos atrasados, quadro de apoio defasado, enfim, tudo isso deve ser encarado com normalidade, sem espanto. Descaradamente, sustentando-se em nome da crise econômica que assola o país.

Em nome da crise baixou outro decreto (61.546/15) proibindo o gozo de férias e o usufruto de outros direitos dos servidores de quadros da Educação. Em nome da crise anunciou, em meados de setembro, uma tal “reorganização das escolas”, projeto já tocado por outra administração tucana, de nenhum resultado prático que tenha alcançado a qualidade da Educação. Os burocratas da administração da Educação paulista – que não conseguem fazer sua máquina administrativa andar minimamente para atender demandas da vida funcional dos servidores ” tentam confundir a comunidade escolar mascarando uma ação avassaladora de fechamento de escolas e diminuição de vagas como se isso fosse melhoria da qualidade de ensino. Professores, diretores, coordenadores pedagógicos, pais e alunos, desinformados ou acostumados às peripécias artificiais da tucanagem, não sabem onde estarão, com quem estarão, como estarão no próximo ano. Um erro grosseiro de estratégia, de planejamento, de concepção de melhoria da escola.

Ninguém mais consegue pensar 2015. Todos olham, desconfiados, alarmados e desinformados, para 2016. Acabou 2015. Já se foi. Apenas há que se cumprir o calendário em meio a uma polvorosa falta de tato e de inteligência educacional dos burocratas que chefiam autoritariamente a Educação paulista. E, de quebra, uma pá de cal para não deixar dúvidas que o ano acabou e o que pensa e quer a tucunália no comando da Educação: desde o início do ano as escolas não recebem material e nem dinheiro para pequenas ações de manutenção.

2015 já terminou. Resta passar a régua e lutar para que 2016 não venha com essa cara amarga, esse coração combalido e esse discurso atrasado.

*Carlos Giannazi é deputado estadual (PSOL) e membro titular da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa.