Artigos

02 de dezembro de 2015

 

Opinião - Ocupação das escolas: a primavera estudantil da rede estadual

 

O programa criminoso do governo Alckmin de reorganização da rede estadual, que na prática significa um eufemismo para o fechamento de escolas, turnos e salas de aula, tem gerado uma grande indignação não só de alunos, pais e professores, mas de vários setores da sociedade que vêm se colocando totalmente contrários a mais um ataque tucano à já combalida e agonizante escola pública do nosso estado.

 

Além disso, esse governo, de uma forma covarde, aciona o aparato repressivo do estado " a Polícia Militar ", e o aparato jurídico " a Procuradoria Geral do Estado ", contra estudantes da educação básica que, de uma forma pacifica, democrática e cidadã, ocupam politicamente as suas próprias escolas a fim de se fazerem ouvidos e exigindo que o Poder Executivo cumpra o preceito constitucional da gestão democrática da escola pública. Assim somos obrigados a dizer, em alto e bom som, que o governador tem uma postura criminosa e covarde.

 

Mas nem tudo são trevas. Tenho percorrido dezenas de escolas ocupadas pelos alunos e presenciado um dos acontecimentos mais bonitos e revitalizantes da rede estadual. Uma espécie de primavera estudantil em que adolescentes são protagonistas e agentes históricos da mudança e da crítica a uma ação perversa do governo, que visa prejudicá-los em nome da lógica do ajuste e da austeridade fiscal, nada pedagógica.

 

Esses meninos e meninas ocupam os prédios com responsabilidade e organização, preservando o patrimônio escolar e fazendo reuniões e assembleias constantes para avaliar o movimento e como dar prosseguimento à luta contra o desmonte da escola pública. Muitos pais e professores acampam do lado de fora da escola dando apoio e suporte, orgulhosos do despertar e engajamento de seus rebentos e pupilos.

 

Criam equipes de limpeza, comunicação, segurança e de infraestrutura. Articulam saraus, palestras, teatro, música, jogos e aulas públicas. Ou seja, os jovens estão dando uma verdadeira aula de cidadania, democracia, participação, organização e criticidade. Aprendem eles e a comunidade escolar; e aprendemos todos nós. Temas como judiciário, liminar, reintegração de posse, defensoria pública, ministério público, organização horizontal etc. entram em seu universo e permitem que aprendam, na realidade experiencial, como funciona a sociedade opressora em que vivemos. Porém, aprendem mais ainda que é possível transformá-la. Agora entendem o que afirma Paulo Freire: o mundo não é; o mundo está sendo.

 

Creio que não haverá motivo para reposição de aulas das escolas ocupadas, pois os conteúdos vivenciados pelos estudantes que ocupam legitimamente as suas escolas são fundamentais, não só para a comunidade escolar, mas também para toda a sociedade que vive o drama da grande desigualdade social e econômica, causa de todas as mazelas e da agonia de milhões de pessoas em nosso país.

 

Agradecemos vocês, alunos, por ocuparem as escolas e os parabenizamos por acenderem a chama da luta e da resistência contra os exterminadores da educação pública.

 

*Carlos Giannazi é deputado Estadual (PSOL) e membro titular da Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa de São Paulo.

 

 

Carlos Giannazi é professor universitário, diretor de escola pública, mestre em Educação e doutor em História (USP). Foi vereador da capital de 2001 a 2007, candidato a prefeito de São Paulo em 2012 e, como deputado estadual, sempre apoiou e participou ativamente das lutas pela melhoria dos serviços públicos de qualidade como Educação, Saúde, Segurança, Meio Ambiente, Transportes, Cultura e Lazer — antes, durante e após as jornadas de junho de 2013. Por isso atua fortemente por mais investimentos nessas áreas, sobretudo na valorização dos servidores que oferecem esses serviços à população.

 

Um dos mais críticos, independentes e combativos deputados da Assembleia Legislativa de São Paulo, Giannazi fiscaliza o governo diuturnamente e denuncia todas as irregularidades deste ao Ministério Público Estadual, Tribunal de Justiça, Defensoria Pública, Tribunal de Contas do Estado e imprensa. Apresenta projetos de lei, organiza audiências públicas, propõe e apoia lutas sociais dos diversos segmentos da sociedade em todo o estado.

 

Como educador, é uma referência na defesa da escola pública de qualidade e da valorização dos profissionais da Educação.

Gabinete: Av. Pedro Álvares Cabral, 201. Sala  1044/1045.

São Paulo - SP  CEP 04097-900

 

Telefone: 11-3886 6686 / 66 90