Estado pagará a gestores do CIS o dobro da remuneração de educadores concursados

 

 

O Contrato de Impacto Social (CIS), que entrega escolas públicas para serem geridas por organizações sociais privadas, começou já com uma incoerência. Financiadas exclusivamente com recursos públicos, essas empresas remunerarão seus gestores com o dobro dos valores que são pagos aos profissionais da educação aprovados em concurso público. Um coordenador-geral do projeto receberá R$ 8 mil, e um coordenador pedagógico, R$ 6 mil. Segundo o deputado Carlos Giannazi, essa diferença contamina o próprio argumento usado como pretexto para a implantação do programa: averiguar se, geridas pela iniciativa privada, essas escolas reduziriam os índices de evasão no ensino médio.

 

“O problema da escola pública não é de gestão, mas de subfinanciamento. A secretaria adota uma política de arrocho salarial, superlotação de salas, falta de servidores, precarização da contratação de professores e sucateamento da estrutura. Junto com as questões sociais, esses são os maiores motivos de evasão e repetência”, explicou o parlamentar.

 

Para Giannazi, o CIS é uma farsa, uma inconstitucionalidade que o governo inventou para privatizar a rede estadual de ensino e implantar mais uma política de transferência de dinheiro público à iniciativa privada. Por isso está acionando o Ministério Público e o Tribunal de Contas do Estado para que procedam investigações.