Audiência debate proposta de exploração do complexo zoológico

13 de maio de 2019

 

 

Foi realizada no plenário Tiradentes da Alesp um encontro para discutir a concessão de uso de parte do Parque Estadual Fontes do Ipiranga, que inclui o Zoológico de São Paulo, o Zoo Safári e o Jardim Botânico.

 

O encontro, realizado na segunda-feira (13/5), ouviu pesquisadores e especialistas sobre o assunto, que está em pauta por conta da proposta de privatização do complexo, apresentada pelo governador João Doria, através do Projeto de Lei 183, de 2019.

 

De acordo com representantes do complexo, presentes na audiência, o maior prejuízo será o congelamento da verba para a pesquisa.

 

“Precisamos entender que o zoológico não é apenas para visitação. Existe um plantel que subsidia várias ações de pesquisa, de conservação de biodiversidade, de formação de pessoal e tudo isso precisa estar na discussão para que o trabalho não seja perdido”, declarou Claudia Igayara, vice-presidente da Associação de Zoológicos e Aquários do Brasil.

 

O deputado Calos Giannazi (PSOL), que popôs a audiência, salientou que “o zoológico é autossustentável, ele não recebe um centavo do estado. Além disso, lá tem muita pesquisa, educação ambiental, parcerias com a Unifesp. A iniciativa privada não tem interesse em pesquisa, pois não dá lucro imediato”.

 

Segundo o governo estadual, a união dos três complexos em um só pacote para privatização é uma tentativa de garantir a concessão do Jardim Botânico que tem prejuízo anual de R$ 4 milhões e apenas 270 mil visitantes contabilizados ” público considerado baixo pelo governo.

 

A empresa vencedora será responsável por modernizar e cuidar da manutenção das três áreas. A previsão da publicação do edital é até fevereiro de 2020, assinando o contrato após 60 dias. O projeto de concessão foi enviado à Assembleia Legislativa de São Paulo em março deste ano.

 

Maria das Graças Lapa Wanderley, pesquisadora do Instituto Botânico, teme não só pelo futuro das pesquisas como também pela perda do que se conquistou até agora. “O Instituto é a única instituição brasileira que trata de todos os grupos de plantas e fungos. Estudamos a biodiversidade, temos uma obra muito importante lá, que é conhecida no mundo inteiro. A coleção do nosso herbário é a terceira maior do país – pela riqueza que ela tem – ela precisa ser conservada”, disse.

 

Além dos citados, a composição da mesa do evento contou com a presença de Cleusa Lucon, presidente da Associação dos Pesquisadores Científicos do Brasil; Elias Sadalla Filho, presidente da Kouprey Amigos dos Santuários dos Animais (KASA); Daniela Gurgel, veterinária especialista em bem-estar animal; Julio de Oliveira, cientista da Unifesp, Izabel Graciana, representante da Associação de Moradores e Amigos da Água Funda e Rodrigo Del Rio do Vale, veterinário e pesquisador.